No dia seguinte combinámos um dia de praia (as saudades já eram bastantes). Decidimos sair ao 12h30 de casa e lá fomos para a chamada Back Cristo ou, como nós chamamos, "Praia dos Portugueses". Para lá chegar apanhámos um táxi até uma espécie de parque para, a partir desse local, darmos inicio a uma longa e cansativa caminhada até à praia.
Até chegarmos às montanhas é preciso subir umas infinitas escadas que, curiosamente, funcionam como uma via sacra aqui do sítio. Cada patamar alcançado tem um pequeno arco com uma pequena oração. Não existem fotografias desta subida pois o cansaço e desejo de chegar a fim era tanto que só no final nos apercebemos do que se tratava.
Chegando às montanhas, começa a aventura (que se torna bastante mais complicada quando o calçado escolhido são os chinelos).
Como se pode ver não existem propriamente estradas ou caminhos fáceis de chegar aos sítios. Ou são estradas de terra esburacadas ou são caminhos que mais parecem paredes de escalada.
Sempre em filinha fomos subindo e descendo rochas com a ajuda uns dos outros para não cairmos.
A vontade de experimentar caminhos novos em Timor é imensa porque cada cruzamento, cada esquina, cada paisagem é única e inimaginável. Vê-se de tudo.
No entanto, às vezes, é preciso parar. Neste caso encontrámos um precipício de 4 metros e achámos por bem voltar para trás. Pensámos na hipótese de imitar o Spirit (cavalo selvagem que salta uma grande ravina na tentativa de fugir de uns guardas que o queriam apanhar) mas podia ser um pouco perigoso e por isso abortámos esta ideia.
Cada praia em Timor é diferente mas igualmente paradisíaca. É uma praia de coral e a água fica-nos um pouco acima do joelho, com maré cheia, e abaixo dos mesmos na altura de maré baixa.
é muito frequente fazer-se snorkling nestas praias mas com algum medo do que poderíamos encontrar, não fizemos neste dia.
Nestas praias existem todos os tipos de animais aquáticos. Desde peixes, lesmas do mar, crocodilos, tubarões e até as cobras do coral (cobras que ao morderem permitem, muito atenciosamente, 3h de vida às vítimas que são mordidas pelas mesmas). Engraçado portanto.
Aproveitamos para mandar um beijinho muito especial com saudades, em Tétum, ao pai (Apaa) e à mãe (Amaa)
Nesta mesma noite aconteceu algo inesperado. Tínhamos combinado fazer em nossa casa uma churrascada com os nossos amigos. Depois de termos comprado as coisas e de já estarmos a preparar tudo em casa, a Mariana recebe um telefonema desses nossos amigos a dizer que ninguém vai poder vir pois a embaixada tinha ligado a proibir os portugueses de saírem de casa pois estavam esperadas grandes confusões e muita pancadaria nas ruas.
Ainda não se sabem bem os motivos. Pode ter haver com as escolhas políticas como também com a saída da UN em Janeiro.
O que soubemos foi que foi grave e neste momento a tolerância é zero. Foram muitos os estragos, muitos os feridos e até algumas mortes o que, de certo modo, nos inquietou bastante. No entanto, estivemos sempre em contacto com a embaixada e para os nossos lados não havia perigo nenhum.
São coisas que raramente acontecem mas temos que estar preparados. Uma aventura!
Sem comentários:
Enviar um comentário