segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Envolvimento

 Bons dias! 

Cá são 11h da manhã e aí em portugal devem estar no segundo sono ( ou provavelmente há pessoas que ainda estão de pé a fazer noitada!).

Esta quinta-feira faz três semanas que cá estamos. Para uns parece poucos, para nós  parece que já cá estamos há muito tempo.

A Mariana foi embora no domingo com muita pena nossa. Mas não há 'abandono' sem despedida. E que grande despedida. Ficámos com comida para um mês porque as pessoas com a animação iam-se esquecendo de comer. 
Mais uma vez tivemos bebida e comida em abundância. Sobremesas e entradas não faltaram e uma boa guitarrada foi tocada. Cantámos, falámos, fizemos jogos e depois fomos todos sair!




Desta vez foi churrascada e foram os homens que trataram do assunto. Frango, chouriço, costeletas..

Já as meninas iam tirando fotografias, muitas !

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A noite prolongou-se por umas boas horas. Saltámos de sitio em sitio. Tentámos invadir uma festa privada mexicana ( ou francesa não me lembro) mas sem sucesso. Fomos então para um bar/discoteca chamado 'Amigos' onde dançámos ao ritmo de músicas como ' Ana Julia' ( música mais comercial). Mas infelizmente as colunas de música foram abaixo o que fez com que a noite acabasse. 

Mentira! A noite acabou naquele bar mas nós tinhamos de continuar. Fomos então para o 'Girassol', um outro bar ao pé da praia muito animado onde se dançava mais sons locais. Um kisomba por exemplo.


Por fim fomos dar um saltinho até à praia para banhos nocturnos, passeios na areia e ver um nascer do sol do outro mundo.


Uma noite muito muito divertida. 


Chegámos de madrugada. Nada melhor do que chegar da noite e ter os restos da comida da noite anterior para atacar. Veio a malta toda lá para casa ajudar nessa tarefa de despachar a comida. Costeletas ao pequeno almoço! E ao almoço e ainda ao jantar. Tivemos que fazer nesse mesmo dia um outro jantar ( mais soft) para acabarmos com as quantidades exorbitantes de comida.


Ontem, segunda-feira, fomos com o Hugo a Dare, um distrito aqui ao pé onde está presente uma cooperativa de flores em que estamos envolvidos. Fomos conhecer os membros da cooperativa, ver a estufa que foi construída recentemente e ficar a par do que se passa lá.


Fomos de 'anguna', esta carrinha azul à direita. 





















Mas não íamos só nós nela como devem calcular. Esta carrinha ía cheia, com pessoas penduradas. Em cima têm uma fotografia de outra anguna só para terem noção de como íamos. A viagem durava uns 40 min. Contudo a distância era pouca, só que como o conceito de estradas cá é muito relativo, todos os percursos levavam muito tempo a fazer-se. 


Parámos então em casa de um dos membros da cooperativa que nos ia mostrar a estufa (ainda não se encontra em utilização por falta de água). Ele tinha três cãozinhos-tigre amorosos!! (Mãe ainda não desisti da ideia, e aposto que depois de ver esta fotografia vai ficar com vontade de ter um igual!)


O caminho para a estufa era absurdo. Uma ravina muito inclinada com picos, lama, pedras soltas. Uma aventura!

Nós não nos largávamos. Se uma caísse a outra caia por solidariedade.


















Passados alguns quilómetros parámos para descansar um pouco numa esplanada de um museu. O museu é exactamente só o que vem ao lado, placares com a historia da segunda guerra mundial. A vista era fantástica. Via-se Díli numa perspectiva diferente, vista da montanha.

Bebemos uma água, descansámos as pernas e voltamos à estrada. Mas desta vez era ao estilo de pedir boleia. Lá arranjamos uma carrinha de caixa aberta que andava a 300km/h mas ia mais vazia.



















Acabámos esta belíssima tarde no mercado, onde compramos abacates para o nosso jantar. Conhecemos um senhor macaco que estava de guarda de uma das bancas. Não foi muito receptivo quando lhe tentei tirar uma fotografia. Se não estivesse preso acho que hoje não estava aqui para vos contar tudo.

Ainda neste dia tão atribulado a Mafalda teve de dar uma aula de Português ás crianças nossas vizinhas. Cá se se promete uma coisa a uma determinada hora, as crianças estão a bater à porta a essa mesma hora, sem atrasos.



Foi uma confusão porque eles aparecem aos molhos, parecem sempre menos do que realmente são. Ensinei-lhes algumas palavras em português e também deu para aprender tétum. Muito divertido !


Ainda fizemos um jogo com eles para ver quem nos sabia distinguir. Incrível como eles não se enganavam! 

Enfim, assim nos começamos a envolver na vida timorense e a ganhar estas experiências que nunca vamos esquecer.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Em acção

Cá estamos nós de volta!
Ora bem, esta semana começou em grande. Para quem pensava ou suspeitava que cá eram só paisagens bonitas e nada de trabalho, aqui vos deixo a prova de que tudo isso não passavam de boatos. 
Segunda-feira tivemos a nossa grande apresentação à Timor Telecom. A Mariana e o Hugo apresentaram o projecto final sobre retenção de talentos, que desenvolveram ao longo destes 6 meses (uma verdadeira obra-prima) e nós apresentámos ideias para novos possíveis projectos.
A apresentação foi feita à directora de Recursos Humanos. Por falar nela, aproveito para vos contar outra história curiosa. No domingo, ao falarmos com a mãe pelo skype, a mãe pediu-nos para irmos falando com os contactos que nos tinha arranjado cá em TL. Disse-nos até para aproveitarmos que, já que íamos à TT, procurarmos uma senhora (Isabel) amiga da tia Malila que lá trabalha. Pois bem, qual não é o nosso espanto quando nos apercebemos que essa senhora é nem mais nem menos a directora de Recursos Humanos a quemíamos fazer a nossa primeira apresentação! 
A Isabel gostou tanto das apresentações que decidiu marcar novas apresentações. E para quem? Para os grandes 'big boss' da Timor Telecom. Estavam lá os directores de quase todos os departamentos, inclusivé alguns da Portugal Telecom. A pressão era muita, imensa aliás.
Mas correu tudo muito bem. Choviam críticas por todos os lados mas bastante construtivas e pertinentes. Estão já todos com muitas ideias de trabalho para nos dar, o que significa que vai ser um semestre de muito trabalho e empenho! A vontade é muita por isso acho que não vai haver problema!
Depois das apresentações feitas a Isabel ofereceu-nos um almoço no Hotel Timor. E que almoço....salmão com puré e compota de cebola. Para acabar,  buffet de sobremesas (doces, fruta, tudo!)

Com tanta comida não nos podemos esquecer de complementá-lo com exercício até porque, como sabem,estarmos muito tempo quietas é uma tarefa bem complicada. 
E o que temos feito? Para além dos jogos de futebol que tentamos, sempre que conseguimos, jogar com as crianças aqui da vizinhança, inscrevemo-nos em aulas de stretching! Uma vez por semana, uma hora e tal. Vamos experimentar este mês e depois logo vemos como corre. A primeira aula foi bem puxada, exigiu muita flexibilidade (que também não é o nosso forte). Mas foi óptimo sentir o corpo dorido no dia seguinte. 
Estamos também a considerar experimentar aulas de kisomba!
À parte destas aulas temos também a oportunidade de fazer exercício por nós. E acreditem, é o melhor exercício de sempre.


Por volta das 17h saímos de casa de bicicleta e vamos até à praia da areia branca (cerca de 7km). Paramos lá as bicicletas e vamos a correr (e sim, é mesmo a correr!) até à praia do cristo rei (mais uns 5 km) onde paramos e fazemos os nossos abdominais e outros exercicios.


E como quem vai tem sempre que voltar, fazemos o mesmo para trás! Mas com uma particularidade: Quando chegamos à areia branca sentamo-nos a ver o pôr do sol (que é mágico!) e a beber uma aguinha de côco!








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À noite é a altura ideal para juntarmos a maltinha toda e por isso organizamos mais um jantar! 

A Cat fez o arroz (com supervisão da Maf) e ficou uma verdadeira delícia e a Mariana fez todo um refugado e complementos!


E claro, no fim tudo tem de ficar um brinco!



E pronto, espero que tenham gostado das novas actualizações. 

Agora temos que ir trabalhar por isso, ate já!





segunda-feira, 23 de julho de 2012

As escritoras/repórteres



Porque cá o convívio nunca é demais, juntámo-nos todos numa grande jantarada em casa da Regina. Malta de diferentes ONG, GNR, italianas, singapurenses, americanos e muito Tuga.


Comida formidável (cá todos cozinham lindamente e nós temos que aproveitar claro): pasta de atum e umas entradas que ainda não chegámos à acordo sobre o que eram (talvez amendoins fritos), caril de vegetais e bolo de banana. 
Tivemos também o prazer de acompanhar esta belíssima refeição com um bom vinho português.
Houve muita animação, muitos jogos, conversa, dança.. Falava-se português, inglês, italiano, tétum. O que dava jeito na altura. 




            TUGAS (Regina à esq de tudo)
       GNR, ITALIANAS E AMERICANOS
  
MAIS TUGAS, MAIS GNR E SINGAPURENSE


Mas como a vida não é só festa convém mostrar-vos o nosso lado mais trabalhador e responsável. Temos vindo a comunicar com alguns jornais locais de portugal (e quem sabe mais tarde algum nos Estados Unidos) de forma a escrevermos artigos sobre o MOVE e tentar angariar alguns donativos para esta causa. 
Eis o primeiro artigo escrito por nós para o jornal das caldas da Rainha!



Já foi escrito outro artigo para o Jornal do Bombarral mas ainda não foi publicado. Esta é uma óptima oportunidade para nós. Não só pelo reconhecimento como pela experiência. Adoramos escrever. E poder aliar esse gosto a esta causa tão humanitária é formidável.

Até à próxima leitores assíduos!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Um pouco de tudo

Olá olá!

Cá estamos nós de novo com mais actualizações.

Após alguns dias de quarentena, os ânimos acalmaram e podemos sair de novo de casa.

Óbvio que a primeira coisa que fizemos foi pegar nas bicicletas e ir até à praia. O caminho pela 'marginal' de Díli até às praias é fora de série  ( uns bons 7 km). Tudo é bonito e encantador. Perdemos-nos naquelas águas tão azuis, rodeadas por  tanta natureza.

A única parte chata deste caminho é passar por tanto timorense.
Passo a explicar. Cá os timorenses não são muito activos, limitando-se a ficarem na rua em grupos a observar e mandar bocas a quem passa ( ou seja, nós). Conseguem ser chatos!


Mas coisas más à parte, este caminho vale sempre a pena! E, conhecendo-nos como conhecem, fotografias é algo que apreciamos bastante. Ainda por cima estando as duas juntas ninguém nos pára. Enchemos o cartão de memória muito rapidamente. Cá já se aperceberam também do nosso 'tique' de inclinar a cabeça quando temos uma máquina virada na nossa direcção.




 


Finalmente apresentamos A 'Tia'. A Tia é a senhora que trata da nossa roupa,da casa, traz-nos pãozinho de manhã... É um amor. Não fala português mas faz-se entender, até porque nós já começamos a arranhar o Tétum. 
Ela vive na casa em frente à nossa e está sempre lá quando precisamos. 
Para além dela, temos sempre a companhia de todos os nossos amigos/vizinhos: os porcos, galinhas, cães, gatos, pintainhos, galos, ratos, aranhas..



Hoje, dia 20, foi embora um membro da outra edição, o Francisco.
E não seria uma despedida sem festa. Fizemos portanto duas festas ontem: uma para as crianças e outra para os mais crescidos ( não sei em qual nos integrámos mais).
A festa dos miúdos teve comida, música ( escolhida pelo grande ipod de musicas bimbas das gémeas), futebolada ( Timor-Portugal), guerra de bisnagas ( rapazes-raparigas) e muita dança ( Macarena, 'ai se eu te pego', YMCA)






Umas horas mais tarde terminou esta festa para dar inicio à dos grandes. 
Éramos bastantes, um grupo giríssimo. Havia bebida ( Huda, uma cerveja de 12% típica de cá que tem a particularidade de dar ressacas brutais. Nota: nunca comprovámos este facto obviamente)

Havia também  muita comida. Batatas fritas para entrada, caril ( muito muito picante) e arroz como prato principal e mousse de maracujá à sobremesa (ajudámos a abrir os maracujás), deliciosa!
E sim, temos aprendido muitas receitas portanto quando chegarmos a Portugal está prometido uma grande jantarada feita por nós!

Até à próxima!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Praia dos Tugas


No dia seguinte combinámos um dia de praia (as saudades já eram bastantes). Decidimos sair ao 12h30 de casa e lá fomos para a chamada Back Cristo ou, como nós chamamos, "Praia dos Portugueses". Para lá chegar apanhámos um táxi até uma espécie de parque para, a partir desse local, darmos inicio a uma longa e cansativa caminhada até à praia.


Até chegarmos às montanhas é preciso subir umas infinitas escadas que, curiosamente, funcionam como uma via sacra aqui do sítio. Cada patamar alcançado tem um pequeno arco com uma pequena oração. Não existem fotografias desta subida pois o cansaço e desejo de chegar a fim era tanto que só no final nos apercebemos do que se tratava.


Chegando às montanhas, começa a aventura (que se torna bastante mais complicada quando o calçado escolhido são os chinelos).





Como se pode ver não existem propriamente estradas ou caminhos fáceis de chegar aos sítios. Ou são estradas de terra esburacadas ou são caminhos que mais parecem paredes de escalada.

















Sempre em filinha fomos subindo e descendo rochas com a ajuda uns dos outros para não cairmos.


A vontade de experimentar caminhos novos em Timor é imensa porque cada cruzamento, cada esquina, cada paisagem é única e inimaginável. Vê-se de tudo.



 No entanto, às vezes, é preciso parar. Neste caso encontrámos um precipício de 4 metros e achámos por bem voltar para trás. Pensámos na hipótese de imitar o Spirit (cavalo selvagem que salta uma grande ravina na tentativa de fugir de uns guardas que o queriam apanhar) mas podia ser um pouco perigoso e por isso abortámos esta ideia.

 Chegámos à praia!







Cada praia em Timor é diferente mas igualmente paradisíaca. É uma praia de coral  e a água fica-nos um pouco acima do joelho, com maré cheia, e abaixo dos mesmos na altura de maré baixa.
é muito frequente fazer-se snorkling nestas praias mas com algum medo do que poderíamos encontrar, não fizemos neste dia.






Nestas praias existem todos os tipos de animais aquáticos. Desde peixes, lesmas do mar, crocodilos, tubarões e até as cobras do coral (cobras que ao morderem permitem, muito atenciosamente, 3h de vida às vítimas que são mordidas pelas mesmas). Engraçado portanto.

Aproveitamos para mandar um beijinho muito especial com saudades, em Tétum, ao pai (Apaa) e à mãe (Amaa)

Nesta mesma noite aconteceu algo inesperado. Tínhamos combinado fazer em nossa casa uma churrascada com os nossos amigos. Depois de termos comprado as coisas e de já estarmos a preparar tudo em casa, a Mariana recebe um telefonema desses nossos amigos a dizer que ninguém vai poder vir pois a embaixada tinha ligado a proibir os portugueses de saírem de casa pois estavam esperadas grandes confusões e muita pancadaria nas ruas. 

Ainda não se sabem bem os motivos. Pode ter haver com as escolhas políticas como também com a saída da UN em Janeiro.

O que soubemos foi que foi grave e neste momento a tolerância é zero. Foram muitos os estragos, muitos os feridos e até algumas mortes o que, de certo modo, nos inquietou bastante. No entanto, estivemos sempre em contacto com a embaixada e para os nossos lados não havia perigo nenhum. 



São coisas que raramente acontecem mas temos que estar preparados. Uma aventura!

domingo, 15 de julho de 2012

FESTA na Areia Branca!

Mas há sempre tempo para tudo. Depois do trabalho vem o lazer. 

Ontem, 14 de Julho, tivemos uma festa de despedida na praia. Estava imensa gente!

Havia muita comida, desde lulas a camarões, frango e cebola frita... e claro muita bebida!

E, como cá estamos no espírito de 'experimentar tudo', provámos uma carne picante (e bem saborosa).  O que não sabíamos e que viemos a saber mais tarde é que o que tínhamos comido e tinha sabido bem era um cão! Nunca mais vamos voltar a olhar para eles da mesma forma.

A festa teve muita música timorense, muito kisomba, e muita assistência, quer das criancinhas timorenses quer dos porcos que adoram passear pela praia. Sim, PORCOS. 

Um pormenor muito engraçado em Díli é que andamos na rua e vemos animais por todo o lado. À porta de nossa casa temos desde galinhas a porcos, cães, pintainhos, baratas.. um verdadeiro Jardim Zoológico!










O grupo é muito giro, muita malta da mesma idade e espírito. 



















Houve uma tentativa de escrevermos 'Timor-Leste' com luzes, mas como se vê pela fotografia, o melhor que conseguimos foi 'Mobes' (que não significa nada).














No final da noite houve quem fosse dar uns mergulhos, porque água fria cá não existe!

E assim se passou uma excelente noite entre amigos que é sem dúvida para se repetir!