segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Monte Matabian


Cá estamos nos de volta.

Depois da grande viagem já assentámos e estamos completamente focados no trabalho.

Na UNTL já começámos a dar aulas aos 60 alunos novos. São muito envergonhados e ainda falam a medo. Mas com o tempo vão perceber que não tem que ter vergonha nem devem recear falar connosco e tirar duvidas.

Na Timor Telecom temos igualmente alguns avanços. Estamos a terminar o projeto que nos foi dado e já estamos a começar outro na área comercial. Ambos se focam no interesse da empresa em ganhar terreno para sobreviver à entrada da concorrência, deixando assim de representar um monopólio.

Na incubadora começamos a preparar psicológica e materialmente para começar as formações dia 29 deste mês.




A cooperativa das Flores, que pretendemos continuar a apoiar, continua ainda muito desorganizada. Estamos numa fase de recolha de informação das vendas da cooperativa antes de atacarmos com as formações e estratégias de atuação. Fomos também esta semana a um seminário sobre cooperativas: seminário nacional- ‘o papel das cooperativas no desenvolvimento económico nacional de Timor-Leste, no âmbito da comemoração do dia internacional das cooperativas’. Foram dois dias inteiros, com oferta de bebidas e comidas, bem como cadernos, canetas e material de apoio. Estava uma sala cheia de pessoas importantes, desde estudantes, reitores das faculdades, oradores,  diretores das cooperativas, os secretários e assessores do presidente e o primeiro-ministro. Foi em tétum mas o que interessa é que estivemos presentes e demos a  cara pela nossa cooperativa. Mostramos assim o interesse e dedicação que temos pela Direção nacional de Cooperativas.

No que respeita microcrédito temos muito boas novidades. Estamos a uns pequenos passos de legalizar o MOVE em Timor-Leste. O que significa que estamos mais perto de vir a dar crédito. Estamos também, nesta matéria, quase a fechar contrato com uma empresa já existente de microcrédito, Tuba Rai Metin, com a qual vamos trabalhar lado-a-lado neste campo.

Por ultimo o trabalho do Hotel Timor encontra-se em stand-by, pois estamos á espera de receber os horários para começarmos a dar as formações.

Apesar de todo este trabalho nunca perdemos a oportunidade de preencher o nosso fim de semana. Estes dias que passaram (sexta-domingo) fomos ate Quelicai subir o monte Matabian. Esta montanha tem muito significado para os timorenses (e agora para nós) pois foi onde os timorenses se refugiaram e esconderam durante anos e anos dos indonésios. Ali sofreram, choraram e muitos morreram de fome e sede ou dos próprios ataques das forças indonésias.

Arrancámos sexta feira á tarde e fomos dormir a Baucau numa estalagem que cheirava a esgoto, tinha várias espécies de animais e o pequeno almoço eram pães do ano anterior. Miserável. Estava um calor de morte e o quarto não tinha janela nem ventoinha. Resultado: suamos a noite toda e não dormimos quase nada.

Arrancámos ás 6 da manhã para Quelicai, onde íamos dormir uma noite após subirmos o monte. Era uma estalagem muito simpática. Estávamos apenas nós, trocaram os lençóis da cama (parece estranho mas para nós isto é raro cá) e tínhamos direito a jantar e pequeno almoço (foram um pouco idênticos. Comemos frango, arroz, noodles, batatas ao jantar e ao pequeno almoço noodles, arroz e ovo).

Mas a verdadeira aventura foi a subida ao monte.

O monte tem 2300m de altitude, é muito inclinado e o terreno não é de todo liso.

Fomos acompanhadas de 2 guias timorenses. Obviamente, visto que somos umas princesas, conseguimos arranjar maneira de um dos guias nos transportar a mala (que tinha roupa quente para nos agasalharmos no topo, bebida e comida).


Começámos a subir às 10h e chegámos á 13h30 ao topo. Foi ESTOIRANTE. Mas aqui as manas foram espectaculares e, num grupo onde éramos as únicas raparigas em 8 pessoas, fomos sempre à frente.
Durante todo o caminho podíamos desfrutar de uma paisagem de cortar a respiração. 

Quando estávamos a subir aconteceu uma situação incrível.
 Os nossos guias pararam de repente porque previam problemas com os locais. Apanhámos um susto porque de repente apareceram-nos dois timorenses com um cão e uma catana na mão. Mas logo percebemos que apenas queriam saber se tínhamos autorização da polícia para subir. Mas entretanto quando parámos os nossos guias encontravam-se a mais de 500m de distancia um do outro(o que numa montanha inclinada é bastante) e começaram a falar a um tom que nós (que estávamos ao lado de um deles) mal o ouvíamos E realmente eles conseguiam comunicar àquela distancia e àquele tom. Foi espetacular!







Ao descer já estávamos sem água e sem comida e mal sentíamos o corpo. E surpreendentemente os nosso guias estavam frescos como tudo! Eles pareciam umas cabras a subir as montanhas. Aquilo para eles eram como andar na praia ou saltar à corda. Um deles subiu a montanha de chinelos e o outro DESCALÇO! Incrível.

Mas no final do dia estávamos todos felizes e prontos para ir para a cama.


Contudo, no dia seguinte, nenhum de nós falava ou andava com as dores no corpo. Era uma imagem muito engraçada nós os 8 a tentar subir degraus.

A nossa ideia é agora aproveitar todos os fins de semana para conhecer todos os distritos de Díli e ver se de uma vez por todas vemos crocodilos!


Vamos pondo todos a par.


Até à próxima!

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